Fichamento: "Animação Cultural" de Vilém Flusser

    O texto lido aborda, sob a ótica em que o eu lírico é uma mesa redonda, a grande questão dos objetos serem tão desvalorizados e inferiorizados pelos humanos quando, na realidade, eles são de suma importância para as nossas vidas. No cenário apresentado, os objetos tomam consciência de como se tornaram essenciais no mundo e, portanto, dos direitos e até do poder que deveriam ter. Dentro desse contexto, surge o questionamento se realmente faz sentido a humanidade exercer tamanho poder sobre os objetos e tratar como se eles tivessem a única função de nos servir, ou se não seria a humanidade que serviria aos objetos. 
    Desde o início da nossa espécie, a evolução humana e, posteriormente, evolução cultural e tecnológica, só foram possíveis graças à objetos. As primeiras ferramentas criadas a partir de ossos foram de enorme importância para nossa evolução e, avançando para os dias atuais, tudo ao nosso redor ainda gira em torno de objetos. Tudo que fazemos no nosso dia a dia, exceto atividades naturais como andar e respirar, por exemplo, utiliza ou até mesmo depende de objetos (inclusive as atividades naturais citadas podem, algumas vezes, depender de objetos para acontecer, no caso de pessoas com problemas de saúde). Nesse sentido, é pensado pelo objeto consciente do texto qual seria o papel humano na história que vivemos, nós imaginamos que seja de dominação visto o antropocentrismo que se prega no mundo, porém, como é que podemos dominar se dependemos dos objetos para tudo? Seriam, na realidade, os objetos que dominam nossas vidas? Seriam os humanos apenas responsáveis por cumprir tarefas funcionais e subalternas? 
    Sob esse prisma, podemos perceber que o autor faz uma crítica, de uma maneira incomum e muito criativa, à nossa relação com os objetos e à forma como os valores “homem-objeto” são completamente desbalanceados. O título “animação cultural” vem do sentido de que, diferente do que pensamos, não são os humanos que dão “propósito e função” aos objetos, mas o contrário, ou seja, os objetos que animam os humanos, eles que moldam nossas vidas, comportamentos e culturas. 
    No o meu ponto de vista, o ensinamento principal retirado do texto foi que devemos ter certo cuidado na forma que vivemos nossas vidas completamente baseadas em função dos objetos que criamos, hoje em dia é muito difícil encontrar uma pessoa que consiga passar um dia sem seu celular, que consiga fazer contas sem uma calculadora, que prefira sair e ver beleza no mundo natural ao invés de assistir televisão, dentre outras coisas do tipo. Caso esse processo não mude, a proposta de inversão de relações que foi trazida por Flusser no texto pode se tornar, de certa forma, real e, assim, a humanidade passaria a se tornar refém de suas próprias criações: os objetos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Composições abstratas com objetos

Desenho de observação - em casa

Mapa mental da EAD